1.10.08

Pierot amigo meu

Pierot amigo meu



No edifício antigo

onde nas janelas

pombos fazem ninhos...

o vento sem deixar sua rotina

castiga o rosto das meninas

que passam distraídas

pelos tumultuados boulevares.

tardes, vizinhas do acaso

e na ineficiência de qualquer ato

escreves linhas de poesia

guardando-as num pesado baú

de tralhas emprestáveis.

as horas passam

o vizinho distante

acorda de seu sonho

o canteiro de plantas

recebe a primeira chuva da manhã

e ao norte do quintal,

sobra do ligeiro pensamento.



Jeronimo P. Mota Jr.

Rio, 13/02/1996