2.2.09

Sim tomas



Já tenho

Já me tenho

Já detenho

O terremoto

Que treme só

Entre as plantas dos meus pés

Os olhares só me atingem de raspão

E por alguns segundos sinto arder

Minha arma secreta é um urro

Ou um murro no muro pichado

Por algum pivete mijado

Nas emboladas esquinas das tramas

Que me arranham até o tornozelo

Dito por não dito

Grilos que grilam a intenção

Da imensidão de encruzilhadas

Sem ladrilhos para enfeitar

As curvas que não se topam

Nos quadris da mulher gostosa

Que nem sabe que seu rebolado existe

E o que me assiste

São os passos molhados

Em tardes cheias de lamas

Nascidas da chuva de pouco tempo atrás

E encharcam o meu coração e a boca

De minha calça lee

Penso de uma só vez

Nas linhas que piso durante o passeio público

Para não tropeçar em alguma pedra saliente.