5.2.09

Sopros em vãos ( ou vontade de soprar qualquer espaço vivo)



Sopra aqui em meus olhos

Só pra reter

Só pra conter

Essa lágrima sorrateira

Que prenuncia um pranto



Só o tempo como acordes de um violão

em suas dissonâncias

Para frear esses realismos

Que lacram meus sonhos num caixote

Com pregos martelados e enferrujados



Sopra aqui em minhas escutas

Só pra sentir

Só pra ouvir

Um vivaz ócio silencioso e sagrado

Sempre à espreita de um impossível desejo

Que acena sufocado entre mentes robotizadas

e gestos ensaiados



Sopra aqui em minha boca

Um gosto de fantasia



Surpresa de expressões ocultas

No peito uma semi-escuta

De segredos...

E lá do alto uma imitação de alegria

Alinhando os despejos

Dos vivos mortos que continuam

Representando uma intenção de suicídio



O que enrosca é a minúcia do caminho

De cada passo em desalinho

Tropeçando no bico da intenção



Abraçar o gesso no peito

Para não perder o olhar vazio

Que mira o teto do desassossego

Mas qualquer assobio desperta

A trança do transe

Só pra ti.